Rio -  Estreante no Grupo Especial, a Inocentes de Belford Roxo decidiu abrir o olho. A escola, por sugestão da Associação Brasileira dos Coreanos, acolheu, em abril, sugestão para fazer o enredo 'As sete confluências do rio Han - 50 anos de imigração da Coreia do Sul no Brasil' com apoio de patrocínio da ordem de R$ 2, 8 milhões intermediado pela entidade.
A agremiação, conta o presidente Reginaldo Gomes, está fazendo a sua parte, mas a verba 'made in Korea' não apareceu. Por conta do não cumprimento do acordo, Reginaldo decidou romper com a Associação, mas manterá o enredo.
Inocentes vai exaltar a Coreia do Sul na Sapucaí | Foto: Divulgação
Inocentes, que vai exaltar a Coreia do Sul na Sapucaí, não teve o apoio prometido de entidade | Foto: Divulgação
"A escola abraçou o tema e vamos fazer um belo espetáculo e cumprir nosso objetivo de ficar no grupo Especial", garante Reginaldo, destacando que a agremiação está partindo para a busca de apoios sozinha. E a corrida é contra o tempo. Afinal, a Inocentes só tem amparo legal para captar R$ 2,8 milhões através da Lei Rouanet até o fim de dezembro. Colaboração mesmo, até agora, só da Yogoberry, que tem dona coreana, mas é marca brasileira.
O presidente da Inocentes não esconde a decepção com a Associação Brasileira dos Coreanos, que tem sede em São Paulo. "Eles falaram em apoio do governo coreano. Depois, disseram que isso exigiria muita burocracia e que era melhor obter apoio da lei Rouanet e que estariam aptos a captar os recursos junto a quatro grandes empresas: a LG, Samsung, Kia e Hunday. Nós fizemos tudo certinho. E não procuranmos nenhuma empresa porque a Associação disse que tudo deveria ser através dela. Só que, até agora, nada. Então, decidimos romper com eles pelo tratamento que dispensaram a escola", desabafou.

Dinheiro não chegou
Segundo Reginaldo, outra agremiação que desenvolve tema semelhante ao da Inocentes e também desistiu da Associção, é a Unidos de Vila Maria.
Segundo Reginaldo, que chegou a receber o embaixador da República da Coreia, Bon-Woo Koo, e sua comitiva, no barracão da escola para mostrar que a agremiação estava, de fato, executando os preparativos para o desfile, a Inocentes acabou gastando cerca de R$ 40 mil só com festa, coquetel, e outros eventos para mostrar aos coreanos a agremiação e seu projeto de Carnaval. A única despesa paga pelo grupo que sugeriu o tema foi a viagem do carnavalesco Wagner Fernandes até a Coreia.
O DIA tentou contato, nesta sexta-feira, com a Associação Brasileira dos Coreanos, e seu presidente, Back Soo Lee, mas não obteve sucesso.

Custo do desfile será de R$ 5 milhões
"Não vamos deixar de fazer uma grande homenagem ao povo coreano. vamos fazer do mesmo jeito. Isso não vai nos tirar o foco de fazer um grande espetáculo e ficar no Grupo Especial. Setenta por cento do nosso Carnaval está pronto", diz o presidente, destacando que a Inocentes tem apenas duas alas comerciais.
O líder da escola afirma ainda não ter calculado o custo de seu desfile, mas hoje, como dizem as próprias agremiações, um desfile do Grupo Especial não sai por menos de R$ 5 milhões - no barato! Além de planejar  um desfile capaz de fixar a escola no grupo Especial, a Inocentes investiu em sambistas experientes e consagrados. Contratou o casal de mestre-sala e porta-bandeira Lucinha e Rogerinho; o intérprete Wantuir e o mestre de bateria Celinho, por exemplo.