O ‘Paraguai’ carioca é logo ali
Feira da Madrugada, em São Paulo, abastece o comércio da Central a São Gonçalo
POR DANIEL CARMONA
São Paulo - Às 3h18 de uma madrugada qualquer, a equipe de O DIA se dirigia a um dos pontos mais agitados na calada da noite da capital paulista. Mesmo com a baixa visibilidade de uma escuridão chuvosa, bastou se aproximar do destino para ouvir o ronco forte das centenas de ônibus que cruzam o Centro de São Paulo para desembarcar no quarteirão localizado entre a Avenida do Estado, e as ruas São Caetano e Monsenhor Andrade.
É lá que se abriga um dos mais conhecidos pontos de comércio popular do Brasil, destino diário para quase 400 ônibus e mais de 25 mil pessoas dos quatro cantos do país que compõem o cenário alternativo da Feira da Madrugada. E o Rio também está aqui. Nesta agitada época de final de ano, cerca de 20 excursões, com até 60 pessoas cada uma delas, deixam a Cidade Maravilhosa no início da noite para mergulhar nas compras frenéticas antes do sol nascer.

Ônibus, lojas e sacoleiros se confundem na paisagem da feira | Foto: Luiz Fernando Menezes /Agência O Dia
Ela, assim como a maioria dos frequentadores, busca artigos de moda como roupas, calçados e acessórios. Se é fácil achar ofertas estampadas pelas barracas, como “8 cintos (femininos) por R$ 10” ou “4 anéis por R$ 5”, o difícil é encontrar produtos de alta qualidade. “É tudo popular, em quantidade, mas que também tem o seu valor”, explica Marilene Sampaio, que de uma vez por mês, passou a vir toda semana em novembro, para abastecer sua loja em Petrópolis, de olho no Natal. “A viagem é longa. São oito, nove horas, mas vale o esforço”, diz.
Quando o sol aparece, a Feira da Madrugada começa a perder força. A correria fica mais intensa na busca pelo produto que ainda falta entrar na sacola. E, aos poucos, seus frequentadores se espalham pelas ruas da região do Brás na procura de tecidos ou por artigos da 25 de Março.
E o mais difícil de encontrar entre as 4.700 barracas são paulistas. Enquanto a maior cidade do Brasil dorme, é a vez de mineiros, paranaenses, matogrossenses, cariocas e capixabas aproveitarem boas oportunidades de negócio na região.
Natal bomba os negócios
“Quem vem a primeira vez, sempre volta”. A afirmação é de Luiz Henrique Evangelista dos Santos, coordenador da Santos Turismo, uma das empresas que oferece o translado para os sacoleiros do Rio de Janeiro.
Partindo de Bonsucesso, São Gonçalo, Petrópolis ou Niterói, cada passagem custa, em média, R$ 150. As operadoras costumam fazer entre duas e três viagens semanais, mas nesta época do ano a procura é mais intensa. “Todo fim e início de ano tem uma melhora considerável, tanto em função do Natal quanto pelo retorno às aulas. Os preços de material escolar também são atraentes”, completa ele.
Entre o início e o fim de cada viagem são necessárias 24 horas. Afinal, a partida do Rio de Janeiro acontece entre 19h e 20h, mesmo horário de chegada previsto para o dia seguinte. “Mesmo com a passagem, ainda vale a pena. É um investimento”, diz Juliane Mendes do Nascimento, de Olaria.
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