Indicado ao Oscar, ‘As Aventuras de Pi’ reacende discussão polêmica sobre plágio
POR GABRIELA GERMANO

História seria um plágio | Foto: Divulgação
“Um plágio muito do safado. Ou ‘inspiração’, que no caso dá na mesma... Às vezes o plágio faz mais sucesso que a obra original, e aí a coisa se inverte: o original é tachado de plágio... A safadeza começa pelo cartaz do filme, copiado do volume editado pela L&PM”, escreveu o cartunista em sua coluna de sábado.
A versão cinematográfica que conta a história de um garoto indiano num barco à deriva com um tigre, depois de perder a família em um naufrágio a caminho do Canadá, agrada críticos especializados como Rubens Ewald Filho, que dá sua opinião sobre a questão. “Acho importante o Jaguar levantar a discussão e tiro meu chapéu para o Scliar. A ideia original é dele. Mas não usaria o termo plágio e sim inspiração. E quem pode dizer de onde ela vem?”, questiona Rubens, que não acredita na força do filme. “Disputar com ‘Argo’ e ‘Amor’ não é fácil”.
De fato, Yann Martel assumiu, só depois de muito bafafá na mídia, ter se inspirado em uma resenha negativa sobre a obra de Scliar para escrever a sua história. Elegante, Scliar se pronunciou na época (2002), dizendo que não levou a questão à frente legalmente por causa da ‘trabalheira’ que isso ia dar. Mas que teria ficado chateado com a maneira como o episódio aconteceu: “Ele disse que ia aproveitar uma boa ideia estragada por um autor brasileiro”.
O ator, crítico e cineasta José Wilker também viu o longa e não é muito entusiasta da produção. “O próprio canadense admitiu que deve sua inspiração ao Moacyr. Então o filme de Ang Lee também deve. Acho o uso do 3D totalmente dispensável, medíocre. Gosto do filme até o naufrágio (que acontece logo no início), depois, só tolero”, ironiza. “Ele pode levar o Oscar em alguma categoria técnica, mas se faturar outra coisa, vai me surpreender”, diz.
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