Os amores, a poesia e a vida boêmia de Cartola são contados em livro
POR KAMILLE VIOLA

Coração verde e branco | Foto: Divulgação
Repleta de momentos difíceis, a vida de Agenor de Oliveira era descrita pelo próprio como “um filme de mocinho”: “Acabei vencendo quase no final”, dizia ele. O livro — que será lançado dia 6 de fevereiro, centenário de nascimento de Dona Zica, mulher do artista, na Livraria Cultura do Centro — mostra que ele, nascido em 1908, só encontraria algum conforto material ao lançar seu primeiro LP, em 1974, quando passou a ter muitas propostas de shows — ‘Divino Cartola’ traz encartado CD com a última apresentação do artista a ter sido gravada, de 1978.
“Ele começou a ganhar alguma coisa nos anos 1960, na época do Zicartola (casa de shows que administrava com Dona Zica), mas não muito”, lembra o jornalista Sérgio Cabral, que foi amigo de Cartola e escreve a apresentação do livro. “Eram noites memoráveis. Tom Jobim, Dorival Caymmi, Rubem Braga, Aracy de Almeida: todo mundo ia lá”.
A vida amorosa de Cartola, aliás, chamou a atenção do autor. “Eu tinha a imagem daquele senhor com aquela sabedoria, aquele jeito calmo, me surpreendi com a fase boêmia, pulando cerca quando casado com a Deolinda (primeira mulher de Cartola). Ele era muito namorador. É interessante perceber como a responsabilidade foi chegando à vida dele”.
Chegou através de Dona Zica, que ele conhecia desde criança e a quem reencontrou, já viúva, nos anos 50, na casa de seu amigo Carlos Cachaça, um dos poucos a visitá-lo no Caju. “Ela salvou o Cartola. Conseguiu levantá-lo, e ele sossegou, virou um homem de família”, ri Sérgio Cabral.
Chegou através de Dona Zica, que ele conhecia desde criança e a quem reencontrou, já viúva, nos anos 50, na casa de seu amigo Carlos Cachaça, um dos poucos a visitá-lo no Caju. “Ela salvou o Cartola. Conseguiu levantá-lo, e ele sossegou, virou um homem de família”, ri Sérgio Cabral.
O final da história, como definiu Agenor (que, a certa altura da vida, adotou o ‘Antenor’ de sua certidão), foi feliz: o gênio admirado por ícones como Dorival Caymmi e Ary Barroso, morto em 1980, deixou uma obra que até hoje encanta ouvidos e corações. “Impressiona que esse homem tão simples, com pouco estudo, consiga passar uma mensagem que nos deixa absortos. É um dom mesmo”, define Denilson.
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