Tornado no interior de São Paulo expõe a falta de preparo para fenômeno no país
ROZANE MONTEIRO
Rio - Qualquer criança do Meio Oeste americano sabe que ventos fortes podem fazer muito, mas muito mal mesmo. Naquele país ao norte, embora eventualmente tragédias surpreendam, os americanos já estão treinados e muitas vezes preparados para as tempestades de grandes proporções. Não é o que acontece no Brasil, e o tornado que arrasou Taquarituba (SP) há uma semana expôs o quanto estamos longe de nos prepararmos para fenômenos assim.
O professor Augusto José Pereira Filho é meteorologista e leciona no Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). Ele explica que a transição da primavera para o inverno é muito propícia a tornados, que são formados “quando a alta atmosfera ainda está fria e abaixo está aquecido, o que gera a supertempestade”, espécie de ‘matéria prima’ desses fenômenos. Clique na imagem abaixo para ampliar o infográfico:
O tornado sempre tem a forma de funil — como o que leva Dorothy de sua fazenda no Kansas a um reino encantado no filme ‘O Mágico de Oz’ — e tem por característica trágica duas ações, explica o pesquisador: “sugar e rodar”. Por isso, é comum em terras atingidas por tornados ver até caminhões arrastados pelo vento forte e peças de metal, por exemplo, retorcidas, como as que foram vistas em Taquarituba. Lá, a estimativa é que os ventos tenham ultrapassado os 130 km/h — tornados podem ter velocidade de mais de 500 km/h.
Mas por que afunilam, professor? Augusto é didático: “Imagine uma bailarina: ela não gira mais rápido quando está com os braços fechados em torno do corpo?” Assim ele explica que é alta a velocidade na parte inferior do tornado e lembra que ele não precisa tocar o chão para ser destruidor. ‘BRASIL PATINA NA PREVISÃO’ AUGUSTO J. PEREIRA METEOROLOGISTA DA USP
1. Por que tamanho estrago em Taquarituba?
— Infelizmente, a pequena cidade estava despreparada, assim como o Brasil patina no monitoramento e na previsão desse e demais fenômenos críticos, como o furacão Catarina em 2004 (no Sul). 2. O que fazer?
— Temos um longo caminho a percorrer, a começar pela inclusão da Meteorologia na Constituição como atividade estratégica por meio de um Sistema Nacional de Meteorologia. No tornado de Taquarituba, todos foram pegos de surpresa. Um sistema de radar moderno poderia ter alertado antes de o evento ocorrer.
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